Cris Couto

Comida, bebida, livros e receitas

 

Pitadas de história: Gormenghast e o livro de cozinha

Fuçando a internet, encontrei esse lindo desenho. É uma litografia e traz uma interpretação bem criativa de um livro de cozinha. Seu dono é Abiatha Swelter, personagem da trilogia Gormenghast, escrita pelo inglês (mas nascido na China) Mervyn Peake, em 1946. O romance se passa num imenso castelo com ares medievais (que dá nome à trilogia), e tem entre seus personagens Swelter, um gordo e sádico chef de cozinha, que é morto por sua própria vítima. Quem o vê é o menino de 7 anos, Titus Groan, confinado no castelo:

"De todos os volumes impositivos e decerto o mais ilusório, se de fato não existe peso nem substância num fantasma, é Abiatha Swelter, que avança com dificuldade numa pastosa enfermidade de gordura, através dos fumos e do chão molhado da Grande Cozinha. De entre vagas provisões e grandes tachos de carne quase a flutuar, de tigelas semelhantes a banheiras, ergue-se e rola, como uma maré miasmática, o odor palpável das refeições do dia. Navegando com todas as velas enfunadas, o fantasma de Swelter torna-se mais esfumado devido aos vapores, como se ele se tivesse transformado no fantasma de um fantasma, apenas com sua cabeça de pele de camurça retendo uma certa solidez, com a arrogância dessa sua obesa cabeça exsudando um mesmo suor almaldiçoado." (Gormenghast. Tradução: José Manoel Lopes)

Escrito por Cristiana Couto às 23h34

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Campeonato paulista de barista começa dia 23/1 em Santos

Entre os dias 23 e 25 deste mês, acontece a última etapa regional do campeonato de baristas. A regional de São Paulo, que acontece no Museu do Café, em Santos, encerra o ciclo de quatro seleções feitas pelo Brasil em 2011 para compor o painel de baristas que irão disputar a 11ª edição do Campeonato Nacional, em março. Este, por sua vez, decidirá o representante brasileiro no concorrido evento mundial, que este ano acontece em Viena, no mês de junho.

A etapa paulista conta com 28 participantes das principais cafeterias do estado, e é a regional que reúne o maior número de participantes. A competição segue as regras do World Barista Championship (WBC): cada participante tem 15 minutos para preparar quatro espressos, quatro cappuccinos e quatro drinques de assinatura — não alcóolicos e que contenham sabor distintivo de café. As bebidas são avaliadas por quatro juízes sensoriais e quatro juízes técnicos, certificados todos os anos pela ACBB (Associaçao Brasileira de Café e Barista), organizadora do evento

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Museu do Café (rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico, Santos)

Escrito por Cristiana Couto às 18h24

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Saldão de vinhos na World Wine começa hoje

Como acontece todos os anos, é hora de saldão nas importadoras. A World Wine começa seu bota-fora hoje: serão mais de 60 mil garrafas em promoção — a parceria com a Enoteca Fasano agregou pelo menos mais uma centena de rótulos ao portfólio da importadora. Os descontos chegam a 70%. Quinze destes rótulos estarão à venda apenas pela internet (www.worldwine.com.br). Entre as ofertas estão vinhos como o Champagne Jacquesson Cuvée nº 732 Brut (de R$ 280 por R$ 179,90), um Pouilly-Fuissé Terroirs de Vergisson 2005, do produtor Verget (de R$ 189 por R$ 109,90) e o italiano italiano Rubrato IGT 2005, da Feudi di San Gregorio que, mesmo antes do desconto, já é um tinto da Bota de bom custo-benefício (de R$ 84 por R$ 48,90).

Os saldões tem sua razão de ser: muitas importadoras nessa época tentam desovar estoques de vinhos com os quais, por exemplo, não irão mais trabalhar. Essa é uma razão bastante comum, mas não a única — e é aí que entra o cuidado na hora de comprá-los. Especialmente no caso de vinhos brancos. Os vinhos brancos mais comuns têm, salvo exceções, um tempo de vida relativamente curto. Como brasileiro toma pouco vinho branco, é comum que eles encalhem. O resultado é que sobram nas prateleiras no final do ano brancos que não estão mais no seu melhor momento de vida, e eles caem na bacia das liquidações. Isso não quer dizer que não se deva comprá-los, apenas que é preciso mais cuidado e um pouco de conhecimento.

Outro dia, comprei por uma pechincha na Mistral (num cantinho bem escondido da loja, onde geralmente ficam algumas poucas garrafas em liquidação) um vinho branco da safra 2004. Foi um risco, mas calculado: o vinho era da uva sémillon, uma das grandes brancas do sudoeste da França e que, em regiões como Pessac-Léognan e Graves, produz, em cortes, brancos secos longevos e ricos (além dos grandes doces de Sauternes). Mas o que comprei não era francês e, sim, sul-africano, mas de um dos grandes produtores do país: Boekenhoutskloof. Foi uma grata surpresa: um vinho que evoluiu bem, de cor dourada, untuoso e com aromas de mel e frutas secas. Quem sabe não tem joias assim nesta liquidação também?

Escrito por Cristiana Couto às 16h44

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Cris Couto Cris Couto é jornalista de gastronomia e colaboradora do caderno "Comida" da Folha.


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